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Fotos da Bienal – Luis Bahú

O fotógrafo Luis Bahú caprichou para retratar os eventos da Bienal de São Paulo. Adoramos o resultado e postamos aqui algumas imagens! Monja Cohen, Maurício de Sousa, o Menino Maluquinho e muitas outras atrações. E você? Quais foram as suas impressões da desse que é um dos maiores eventos literários do Brasil e do mundo?

 

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selo

Vida Game ganha o Selo Cátedra PUC/RJ- UNESCO

A SELEÇÃO CÁTEDRA 10 indica obras com valor literário, plástico e editorial, considerando temas e gêneros diversos, sem designação por categorias ou faixas etárias, mas atenta, sobretudo, à qualidade artística do diálogo texto/imagem, que torna o livro infantil e juvenil um artefato original indispensável para arte-educação.
Vida Game, de Adriana Calabró, com ilustração de Ângelo Abu, foi um dos contemplados. A editora é a Peirópolis, uma das mais representativas em livros infanto-juvenis.

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caio eduardo monteiro da silva

Conexões

Por Adriana Calabró

Essa semana tive o celular furtado e peguei o do meu sobrinho: um aparelho-dinossauro da raça Obsolescencius Programmatus  e, portanto, sem qualquer chance de receber o Uber, o Waze ou afins. Só o Whatsapp, e ainda assim, travando o tempo todo. Tudo bem, eu ainda tinha o Facebook no computador. Ufa. Foi lá que eu pude ver o anúncio de uma peça de teatro, despontando na minha timeline. Sim, uma analógica e presencial apresentação dramatúrgica, feita em um palco de verdade, com poltronas, bilheteria, essas coisas …

O post dizia:  “Única apresentação. Com Clovys Torres”. Confesso que nem me preocupei com a sinopse, nem com o nome da peça e fui correndo para o link de compra. Porque da última vez que tinha visto esse ator em cena eu dei graças a todos os deuses do teatro por ele existir e fiquei impactada por semanas.  Clovys Torres, o cara.

Peguei o carro e agradeci por me lembrar de como se chegava naquela rua (sem Waze, lembra?). Agradeci também que o marido emprestou o carro porque o meu estava no conserto (sem Uber, lembra?).  No hall, encontrei uma amiga, conversei sobre teatro e arte, sem nem olhar o celular (Whats travando, lembra?) e entrei… Penetrei naquele ambiente mágico… escuro… poltronas  antigas… palco tradicional… pozinho fino sendo revelado pelo holofote que já iluminava o cenário.  A vida vintage. A vida como ela era.

Depois de passar pela cortina aveludada da porta, procurei meu lugar, sentei e não precisei esperar muito. Lá veio ele, o Clovys. Quer dizer, não só o Clovys, mas o universo que ele carrega dentro de si. Minutos antes eu tinha me lembrado do nome da peça, “Me dá tua mão”, e como se fosse um chamado, me preparei para obedecer, para ser conduzida.  Ele mesmo, sem qualquer cerimônia, anunciou que a peça ia começar e pediu para desligarem os celulares. (O meu, coitado, nem precisou, já estava fora de área.)

E tudo começou prosaicamente, como uma conversa.  Narrador e personagem aos poucos se apresentando ao público. Ambos personificados pelo mesmo corpo.  Depois veio a mulher do personagem, o pai, a mãe, a amante, os cachorros, os visitantes daquela casa imaginária… Todos trazidos à cena pelo mesmo corpo. Um corpo preparado, um corpo de ator.  A narrativa ia aos poucos se revelando, bem tecida, convidando os espectadores a entenderem a lógica daquele monólogo com tantas faces. E eles entendiam. E se deixavam levar pela mão, e riam, e choravam. Quer dizer, não sei se choravam, mas eu chorei.

Contar do enredo, ou seja, da história de um casal que se une de uma forma insólita, depois muda de região, constrói sua rotina, passa por tragédias familiares, envelhece junto, pode até ser um caminho para se falar da peça. Mas é pouco. Não é aí que está a essência do espetáculo. São os silêncios preenchidos, os movimentos bruscos, as sutilezas da dramaturgia, os objetos carregados de significação, os sons que dissolvem a quarta parede, são eles que fazem da apresentação uma experiência forte.  E não estou falando que a peça é experimental, ou distanciada de uma narrativa com começo, meio e fim. Ao contrário, o texto escrito por Clovys (sim, o cara) e dirigido (“desconstruído”) por Amir Haddad nos faz criar a imagem dos personagens,  imaginar a trajetória deles, as dores e alegrias diárias, as vivências tão leves ou dramáticas como a de qualquer outra pessoa.

Fiquei o tempo todo concentrada na história, mas confesso que no meio da peça minha mente viajante deu uma passadinha na Grécia antiga, para pensar no conceito de catarse. Porque se a minha face estava molhada e aquela dor no palco não era exatamente minha, por que eu estava sofrendo? Ou pelo quê? Pela dor do mundo? Pela dor que poderia ser minha? Sim, a catarse do teatro existe e é prima da empatia. Que loucura. Então sofrendo a dor que não reconheço em mim, por meio de personagens que não existem eu posso me descobrir humana?

É isso. Deu match!

Descobrir-se humano. Taí um aplicativo que veio embarcado nas pessoas, mas nem sempre está no modo ON, não é?  O teatro, aqui bem representado por “Me dá tua mão”, assim como a dança, os saraus, a música e outras performances ao vivo, são capazes de nos desautomatizar e trazer o que o mundo digital ainda não conseguiu: a energia, o suor, a presença do artista bem próximos a você.

Tão vintage e tão necessária, essa entrega energética (e catártica) sobrevive.  Nos palcos e nos corações de quem está interessado em se conectar com ela.

Imagem: Caio Eduardo Monteiro da Silva

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A vida é um game? Fernando Fontes responde

Um menino tímido,  com uma imaginação mais do que fértil. Esse é o protagonista e narrador de Vida Game, novo livro da Adriana Calabró, idealizadora do site Palavra Criada. Fernando Fontes tem onze anos, faz doze durante a história, mas tem pensado muito nos treze, quando será tecnicamente um teen. O texto foi o vencedor do Concurso João de Barro, prestigiado prêmio oferecido pela cidade de Belo Horizonte, e tem o formato de um diário.

A autora, que teve formação em Publicidade e está se licenciando em Letras, já fez incursões no romance e no conto, e  estreia no gênero infanto-juvenil. “Ao observar os meus sobrinhos e as demais crianças que já conseguem entender sobre a sua própria maturidade, seus próprios limites, surgiu a vontade de dar voz a eles. Assim nasceu o Fernando Fontes, narrador do Vida Game”, diz Adriana que além de escritora é roteirista, dramaturga, publicitária e dá aulas de escrita criativa. Possui outras obras premiadas, como o conto Taciana, finalista no prêmio Off-Flip, o Projeto Marco Polo, vencedor da bolsa de criação literária do ProAc e o conto A lança e o dado, finalista no Prêmio Paulo Leminski.

As ilustrações são de Ângelo Abu, que vem diretamente de Minas Gerais para o dia do lançamento. ” O trabalho desse artista maravilhoso foi um presente. Ele recontou minha história por meio de imagens e fez um caderno de desenhos, separado do texto”, diz Adriana.

O Singularidades, instituição voltada à formação de professores, apoia a iniciativa e o lançamento será no dia 23 de outubro, segunda-feira, no vão central da Sede, na rua Deputado Lacerda Franco, 88, a partir das 19h30.

 

 

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taças sóbrias para humanos idem

Sejamos sóbrios

por Adriana Calabró

O ano vem acabando, e sendo 2016, podemos até falar em estado terminal. Aí um título assim aparece na timeline e dá ainda mais raiva. Sóbrios? Mas se a saída mais imediata está justamente nas taças de vinho, champanhe, de conhaque, nos whiskies puros, sem gelo. Calma. Não se altere. Não é disso que estamos falando. O assunto aqui tem mais a ver com uma sobriedade diferentona. Tem a ver com falarmos menos de ceia de Natal e mais das fomes internas. Pensarmos menos em presentes, gifts e mimos e descobrir mais possibilidades de realmente despertar o entusiasmo de alguém. Olha, o que tem de mulher que trocaria um kit maquiagem por um beijo experimental borra-batom. O que tem de homem que trocaria a gravata por um abraço impossível, daqueles que os braços ficam meio sem jeito e as batidas do coração se encontram mais ou menos no mesmo lugar. E os velhinhos? Quantos não trocariam as meias elásticas por alguma pequena ousadia? Eu não garanto, mas tenho quase certeza que até aquele celular ou tênis cobiçado pelos moleques pode vir na forma de uma aventura. Sei lá, pedalar antes da ceia. E já que voltamos ao assunto da ceia, sejamos sóbrios. Que tal algo simples e na quantidade exata, que não precise guardar no tupperware depois? Que tal uma música com alguém desafinado tocando violão? Que tal uma conversa sobre porque Jesus, que nasceu nesse dia, deu um piti no templo? Ou porque ele transformou água em vinho quando estava faltando brinde nas bodas de Canaã? Com certeza ele queria que a gente fosse sóbrio. Que pensasse antes no outro. Que a gente enchesse muitas taças em vez de pensar só na nossa. Que todo mundo ficasse bêbado de alegria e não só alguns. Há também a sobriedade de não falar bobagem só porque quer aparecer pro primo fazendo piada machista, racista, elitista. Ou aquela de não precisar competir com ninguém falando de conquistas que não fizeram ninguém feliz (nem você mesmo). Tem também aquela atitude delicadamente sóbria de pensar que tem muito sofrimento no mundo e, por isso mesmo, você tem que evitar qualquer grama a mais de egoísmo. Por exemplo, acertar a porcaria do mictório lembrando que alguém é contratado para limpar. Já pensou? Uma lista de desejos para o novo ano? 1 – Pensar no faxineiro que limpa o mictório, 2 – pensar no carro que fica preso quando eu paro em fila dupla, 3 – pensar na pessoa que pisa no cocô do meu cachorro. São sete desejos, não é? Então podia ser mais uns dois envolvendo generosidade e mais dois envolvendo autoconsciência. Espera, mas tanta sobriedade assim é chato. Legal é o show do Roberto, é a musiquinha do “hoje é um novo dia…”, é a viagem para a praia ou mesmo os benditos fogos que deixam uma sujeirada danada na areia. Calma. Não se preocupe, a sobriedade diferentona não tem a ver com ser triste, nem devagar, nem monótono. Tem a ver com ser humano. Com o tempo humano, os desejos humanos, as emoções humanas. Quem já se inebriou com a presença de outra pessoa, quem já se embebedou de tesão, quem já ficou turbado e perplexo com as conquistas de um grupo agindo junto sabe do que eu estou falando. Por isso eu digo, nesse fim de ano, e em todas as outras datas, ser um ser humano sóbrio é a maior viagem.

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Mediação de Leitura – Um gosto compartilhado

Entre as atividades que me dão muito prazer está a de fazer mediação para Grupos de Leitura. Vejo esses encontros como exercício de empatia nos quais, além de entrar no universo dos autores e do personagens, podemos também conhecer outras visões, outras interpretações, sobre o mesmo material lido.

Tenho a sorte de colaborar para o Quartier des Arts, um grupo formado por pessoas apaixonadas por literatura, que se encontram para trocar experiências e dividir opiniões sobre obras diversas, sempre com um olhar crítico e a vontade de conquistar mais conhecimento.

A responsável por esse projeto é Rita Lobo, profissional da área de comunicação formada em Relações Públicas pela FAAP e Letras pela Université Nancy. Na sua visão, os encontros literários devem ter um conteúdo sólido, além de conduzir os participantes a descobrir suas afinidades em torno de uma mesma paixão.

Com pulso firme na organização e delicadeza na interação, Rita tem conseguido unidade e dinamismo nos encontros digitais e ao vivo. O resultado é um grupo atuante, engajado, que compartilha o prazer da leitura de forma intensa. Mas não é só isso. O Quartier des Arts também tem espaço para cinema, literatura clássica e artes plásticas, com colaboradores feras em cada uma das áreas. Vale a pena visitar o site (www.quartierdesarts.com.br) e conhecer mais da carreira de cada um desses profissionais. Muito bom estar entre eles!

Veja alguns livros que fizeram parte do repertório de leituras do Quartier:

Em Defesa de Jacob, de William Landay

As Avós, de Doris Lessing

Serena, de Ian Mc Ewan

Ódio, Amizade,Namoro, Amor,Casamento, de Alice Munro

A Festa da Insignificância, de Milan Kundera

A Solidão dos Números Primos, de Paolo Giordano

O Eterno Marido, de Fiódor Dostoievski.

Dois Irmãos, de Milton Hatoum

A Mulher que Escreveu a Bíblia, de Moacyr Scliar

Dom Casmurro, de Machado de Assis

Judas, de Amós Oz

O Arroz de Palma, de Francisco Azevedo

Minha Querida Sputnik, de Haruki Murakami

O Chamado do Anjo, de Guillaume Musso

A Marca Humana, de Philip Roth

As Montanhas de Buda, de Javier Moro

Amor, de Isabel Allende

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O dia em que entrei em uma bolha de sentido

Por Adriana Calabró

Nos dias de hoje, uma das tarefas mais difíceis para pessoas simpáticas à lucidez é encontrar coerência nas atitudes, palavras e pressupostos espalhados aos quatro ventos em redes sociais e veículos de comunicação.

Há inúmeros exemplos em que discurso e ação parecem vir de planetas diferentes.

E quando dizemos lucidez não é, de forma alguma, como um sinônimo de superioridade, conhecimento pleno, ou mesmo de “estar com a razão”. É mais simples.  Apenas a aptidão de buscar o quadro geral das coisas de uma forma clara. Sem excesso de paixões, sem opiniões arraigadas, tanto em termos individuais como coletivos. Para o lúcido, os erros, os acertos, os defeitos, as contradições, tudo pode ter lugar. Não é preciso praticar estelionato nem com problemas, nem com soluções. O lúcido quer ouvir, ver, avaliar e depois julgar, o que acaba por afastar naturalmente o binarismo.

Claro que o homem e a mulher lúcidos incomodam muito. Eles raramente buscam o caminho mais simples, ou mais óbvio. São aqueles que apontam “furos no sistema” até mesmo entre seus correligionários, são aqueles que ousam dizer a verdade em algumas situações e calam em outras, por cálculo aproximado das consequências.

Há, porém, um ambiente onde a lucidez é uma característica bastante valorizada e, até mesmo invejada: a área da pesquisa. Ali, problematizar, entender o panorama, buscar subtextos e, principalmente, uma linha coerente de pensamento são pré-requisitos.  Não que em tal recorte não esteja presente o grande vilão, o ego. Está. E quando aparece, também causa danos e obscurecimentos que botam a perder qualquer raciocínio privilegiado.

Mas esse não é o caso do que vamos contar aqui.

Recentemente, pude acompanhar um momento de lucidez na defesa de uma tese de doutorado. O tema era educação, com um viés bastante interessante da linguística aplicada.  No entanto, o que presenciei naquela sala foi algo mais próximo a uma “performance” se eu levar em conta as sensações e reflexões que causaram em mim.

Explico.

Quando vemos pessoas apaixonadas pelo que fazem em ação, seja apresentando 300 páginas de um estudo aprofundado, seja lendo criticamente tal calhamaço com a intenção de questioná-lo de forma útil, cria-se uma atmosfera que nos redime dos excessos superficiais de nossa era. A noção de propósito se expande.

O doutorando, aprovado com louvor, certamente foi lúcido ao vibrar com o resultado de seu trabalho. Mas ainda mais lúcido ao se manter na posição de eterno pesquisador. A banca, exigente em suas demandas, foi lúcida ao cumprir os protocolos de um ambiente formal, mas ainda mais lúcida ao mesclar humanidade e academicismo.

A tese teve a ousadia de aproximar o pensamento de três teóricos e os colocar em diálogo. Trouxe o melhor de cada mundo para polir a lente de aumento e assim olhar para as particularidades da educação. Vale dizer que coloco o conteúdo abordado na tese em termos gerais por minha incapacidade de reproduzir adequadamente o conteúdo sofisticado que ouvi. Uma questão de humildade.

No entanto, posso abordar com tranquilidade uma temática que domino perfeitamente. A reação em cadeia que acontece na minha mente, no meu corpo, quando o sentido se faz presente. Quando se abre um portal para o conhecimento das questões humanas que me inspira, me faz ter vontade de criar, de escrever textões, de ser uma pessoa melhor, de tentar ser mais lúcida.

Isso acontece em alguns locais, em alguns momentos, e procuro jamais desperdiçá-los. Pode ser na defesa de uma tese, mas também na voz do repentista que me aborda, no contato com o moleque de rua que, com maestria, me desafia em meus preconceitos ou, ainda, nas surpresas que consigo pregar em mim mesma quando estou minimamente descondicionada.

O fato é que, quando entro em uma bolha de sentido, me sinto mais livre, menos subjugada por tudo aquilo que me desagrada, as manobras aplicadas, os egoísmos institucionalizados, os discursos impostos, os absurdos propostos.  Quando estou nesse cluster de significância, me sinto menos oprimida por gente pequena que vive em seus bunkers de segurança máxima. Gente que não lê, não ama, não admite divergências, não entrega, não doa, não cria, não tem interesse em aprender ou evoluir e se rende à massificação, sub-utilizando o que há de melhor no homo sapiens sapiens.

Quando estou na bolha de sentido, a realidade parece possível e me vejo comandada pela minha consciência em estado pulsante.

Passo, então, a ter voz.

 Agradecimentos à professora Jordana Thadei, que me convidou para a defesa e ao professor Adolfo Tanzi Neto, que eu não conhecia até o dia desta “bolha”, mas que passei a admirar.

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Katy Perry

# papaiéfãdeKatyPerry

Por Marcos Calabró Orabona

Domingo à noite. Depois de um dia cheio, com esporte, caipirinha, pança cheia, e uma boa discussão familiar, fico sozinho na sala. Hoje não estou com disposição de ler nada. Cansado do lenga-lenga que tomou conta deste país. Crise, crise e crise. Hoje não.

Ligo a TV e, com o controle em punho para viajar em “zents” canais, coloco no Multishow para ver o Rock in Rio. Animação geral na equipe de produção. Titi, Didi, Dedé, todas ansiosos para o início da apresentação de Katy Perry, que parece será de arrombar. Katy quem?! Bem, para um pai de família chegando aos cinquenta, mesmo que antenado com a música tocada desde os sixties, achei estranha tanta excitação. Mas, deixo-me estar. Lembrei vagamente da molecada comentando sobre a cantora.

São onze da noite, o show começa. Pirotecnia e dança, como todos atualmente. Será mais uma cantora/atriz/modelo produzida por um gênio da criação do faz-de-conta? Mais um marqueteiro produtor de canções açucaradas para vender para os adolescentes?

Mais um João Santana da música? Deixo a crítica de lado e tento curtir. Depois de tudo que vejo neste país, com Cunhas e Renans da vida se aproveitando de suas posições para achincalhar a Nação, da sociedade assistindo ao leilão das instituições praticado pelo governo, da violência na porta de casa, da saúde sucateada, da educação moribunda, resolvo curtir a atração do festival sem pensar muito. Curiosidade.

Desligo a TV às 2 da matina. Embasbacado, energizado e feliz. Estado de torpor? Alegria efêmera? Não. Vejo com meus olhos uma apresentação muito bacana – para usar um termo da década de setenta. Com muita animação, sorriso no rosto, respeito ao público, boas músicas dançantes e ótima produção, viro fã de carteirinha da moça. Deu para sentir o quanto ela é inspirada pela centelha divina de se fazer o que ama. Pesquiso tudo sobre a artista na internet. Tem até descendência lusa por parte de mãe. Aquelas perninhas e tornozelos grossos não me enganavam. Já troquei ideias com as primas dos meus filhos que amam a Katy. Próximo show estarei lá com peruca azul e roupa colorida.

 

Marcos Calabró Orabona se formou em Odontologia, em Direito e, de forma diletante, na FETE (Faculdade dos que Entendem Tudo de Esportes).   Ainda tenta entender os gostos dos filhos, e de vez em quando, se surpreende positivamente. 

Palavra Criada cita a fonte da imagem: a foto da gravata foi encontrada em um site de compras de produtos criativos (é bem legal!). Divulgo aqui o link. Se houver algum problema é só dizer que a gente tira. 

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Anatomia de uma cidade – #Sampa462

O povo comenta, o povo reclama da megalópole. Diz que é dura, injusta, violenta. Diz tudo isso sem se dar conta que São Paulo, essa esfinge, é feita de gente. É feita de nós.

As veias são as vias. Aquelas onde os motoristas berram, ultrapassam, avançam limites. Ou, em um bom dia, liberam a passagem, controlam a pressão. Evitam entupimentos, infartos, infrações.

O sangue é pura transfusão. Tem negro, índio, europeu, asiático, sírio, judeu, nordestino, sulista, nortista, príncipe e plebeu. Um sangue multi-reagente, às vezes positivo, às vezes negativo, quase sempre universal.

O coração é quente, grande e não me venham falar do centro. O coração é espalhado em milhões de pedacinhos, em tudo quanto é canto, mosaico de gente quando resolve ser do bem (em vez de se dar bem).

Se falar do pulmão é citar o parque, esse ou aquele, tá pouco informado.  A respiração vem é de quem inspira. Ou transpira. De quem faz foto, síntese e, se precisar, inalação.

Tem outros órgãos vitais também. Bocas que cantam, ouvidos para ouvi-las e, como não?  As mãos que apalpam e acariciam. Umas por amor, outras por dinheiro, outras porque ainda estão tateando o que procuram.

A cidade é gente. E a gente somos nós.  A sujeira tá no rio e a clareza tá no riso. O estômago de um lado é bem tratado, do outro revirado.  São Paulo? É osso viver, mas a gente se segura. Esfola a pele, arranca os cabelos, fica de pé na fila e não perde a compostura.

 

Adriana Calabró é paulistana nascida na Av. Paulista, fala “meu”, gosta de feira, de parque e de Liberdade.

 

Agradecimento especial à Elaine Vilela e à página Paixões Paulistanas, que gentilmente postou esse texto na sua timeline. 

 

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A conversa que eu não preciso ter com você

Você chega, passa por mim, se esparrama no sofá. Eu só levanto o olho e uma parte da sobrancelha e continuo digitando. O que tem acontecido por causa do tal sistema Home Office é que eu nunca paro de trabalhar. Assim como todos os dias, você não me dá um beijo, nem um abraço e, se abre a boca, é para que escapem uma ou duas palavras. Se forem perguntas, eu respondo. Se forem comentários, eu escuto. Se eu quiser falar algo, eu falo. Mas raramente quero.

Eu pego um copo d’água e te ofereço outro. Você aceita.

E aquela conversa, aquela conversa que os outros dizem que é importante, que os padrões de comportamento dizem que é necessária, que as pesquisas mostram como efetiva para a saúde da relação, fica para mais tarde.  Ou para nunca. Porque a conversa, seja qual for, realmente não preciso ter com você. O que eu tenho com você não é para ser conversado. Não tem argumento, não tem perguntas e respostas, não tem utilidade, não tem começo,  nem meio-termo, nem finalmente.  Eu realmente não preciso, nem quero,  ter uma conversa com você.

Isso não quer dizer que não temos assunto. Tudo está sendo dito em cada movimento e sei bem que é depois do copo d’água que você vem me dar um beijo, o primeiro deles. Confessa então o dia difícil. Suspira. E me abraça.  Depois é mais silêncio,  lábios selados com selinhos e pronto: continuamos não conversando.  Os vizinhos agradecem. Aliás, se não fosse a música, às vezes alta, quase não existiríamos. Se há gritos, são internos, e só dizem respeito aos nossos mundos particulares. Nossas individualidades. Com você eu não quero palavras, quero presença. A sua presença no sofá, tomando água, deixando escapar uma ou duas palavras. É isso que conta. E mais: com a sua presença você acolhe meus gritos internos, mostra que tem audição supersônica. Eu tento fazer o mesmo.

Que os faladores continuem, que a os relacionamentos sejam discutidos, as notícias comentadas, que as palavras corram soltas como os retardatários da São Silvestre, excessivas como os laços de floricultura. Eu e você vamos ficar aqui, tácitos, na varanda ou na sala, quem sabe selecionando os anacrônicos CDs. Com um olhar você aprova, com um gesto eu escolho, e assim a gente decide o que vai e o que fica.

Reparou que de um jeito ou de outro, estamos conversados?

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Por Adriana Calabró

 

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