A BELEZA DAS VÍSCERAS

A gente dá muito mole pro cérebro, acha que ele é o centro de tudo, uma espécie de torre de controle que manda no cabaré.  Mas quer saber? Cada vez acredito mais que o resto do corpo é que sabe das coisas. Até porque andaram descobrindo que nos intestinos têm um tantão de neurônios. E que o coração sabe de tudo que acontece frações de segundo antes da massa cinzenta. Hipóteses. Estudos. Resultados. Eu gosto. A ciência sempre foi investigativa então deixa eles investigarem, ué! Na pior das hipóteses, os mais diferentões vão ser boicotados como foram todos os que pensaram fora da caixa (tipo Nikola Tesla).  É um risco que se corre…

Mas quer ver uma coisa? Faz uma experiência. Quando você fala… “eu tô sentindo algo estranho”. Onde você coloca as mãos?

  1. Na barriga
  2. No peito
  3. Na cabeça

Aposto que foi A ou B, duvido que foi C.

E o que isso quer dizer? Nada. No máximo a constatação de que os seus instintos vão direto para as vísceras.

E aí eu paro pra contar uma história. Eu e a Alana Trauczynski nos conhecemos porque fazíamos parte de um mesmo grupo de estudos, com pessoas de todo o Brasil. Ela lá no Sul e eu em Sampa. Quando fui dar um curso em Florianópolis, ela achou que eu tinha algo a dizer e quis me conhecer pessoalmente. Eu da minha parte, achei ela uma potência e fiquei louca para ler o seu livro, Recalculando a Rota, que em breve ia ser lançado. Foi assim, no instinto, que algo nos conectou de verdade.

Depois lançamos um curso juntas – A história que você precisa contar – focado em textos autobiográficos. Foi uma experiência intensa e a maioria dos feedbacks dizia que, como facilitadoras, éramos complementares. Ou seja, que a gente oferecia um conteúdo completo justamente por sermos diferentes nas abordagens e no modo de apresentar, ampliando o olhar sobre o assunto. Achei o melhor elogio possível para um trabalho de dupla!

Agora, surgiu outra oportunidade de nos juntarmos. Nesses tempos incertos, atrapalhados, a gente sentiu que as emoções estão pelas tampas. Como escritoras e observadoras dessa matéria-prima chamada gente, deu vontade de incentivar o pessoal a escrever de novo.  Dessa vez, com as vísceras, partindo das emoções.

Lançamos o Viscerall – Das emoções à palavra potente. Fizemos as duas primeiras horas gratuitas desse workshop, com a presença de centenas de pessoas, e agora estamos oferecendo a versão Viscerall Full On, com 4 horas de curso e muitos exercícios práticos.

A cabeça participa? Claro, né? Como se distanciar do que nos faz Homo Sapiens Sapiens? Mas sem regime ditatorial. O cérebro apenas faz parte, como outro órgão qualquer (já estou aqui imaginando ele: “você sabe com quem está falando? Deixa eu entrar ne’saporra de link!”).

Lembrei agora que vi um filme em que os antigos liam a sorte nas vísceras. Talvez tivesse algum sentido porque, no meio da confusão e da viscosidade, tem uma baita magia nos órgãos. A força de um pulmão, a simetria de um par de rins, a elegância de um tecido, a beleza de um ventrículo cardíaco. E mais ainda, podemos ver o padrão. A mesma disposição dos elementos, os mesmos tons de vermelho, branco, cor de vinho, tudo misturado.

Sim. Pelo menos do lado de dentro, somos bem parecidos. Praticamente iguais.

 

Por  @adriana_calabro_orabona

Quer se inscrever no curso? Clica aqui!

Comentários

Comentários