Paula Marina. Imagens vivenciadas.

Paula Marina é uma fotógrafa que vive o mundo. E para quem tem essa profissão, é uma grande qualidade. Quem a vê em ação percebe que seu corpo inteiro está envolvido no momento da foto e seus contorcionismos acontecem de acordo com as curiosidades de seu olhar. Essa vontade de ver, e de viver,  faz com que seu trabalho seja autêntico, sem artificialismos.

Em uma de suas exposições, a  Mostra Futebol BR, organizada pela Doc Galeria, a sua foto “Altinho”, que retratava o típico jogo carioca que tem como regra não deixar a bola cair na areia, mereceu destaque.  O que ninguém esperava era que o Washington Post faria uma matéria sobre a exposição/ocupação e uma das imagens selecionadas para a capa seria a que ela fez em Ipanema.

Mas não é só isso. Paula está comprometida com um trabalho autoral, mas também está ligada ao coletivo 1MulherporM2, um grupo atuante e engajado formado há dois anos apenas por fotógrafas. Nesse pouco tempo de vida já foram seis exposições, como as montadas na estação Clínicas do Metrô e na Pinacoteca de Sorocaba. 

Apaixonada por trabalhos sensoriais,  Paula Marina encontra nos fotolivros e em produções artesanais como arte-objetos mais uma maneira de se expressar. Impressas cuidadosamente como fineart, sua fotos fazem sucesso para um público que, como ela, se conecta com a real natureza das coisas.

O Palavra Criada tem algumas obras da Paula Marina na lojinha. Clique aqui e confira.

Por Adriana Calabró

Comentários

Comentários

Por que Frida?

Não olhe agora, mas tem um punhado de rosas, um macaquinho e um útero cortado olhando para você.  Não é uma exposição da Frida Kahlo, é a superfície de um espelho que foi colocado na sua frente e, que, neste exato momento, espera interação.

É preciso falar de outras coisas também, de instintos, de ferocidade, de sobrevivência, mas não de bestialidade. Você já aguentou demais. Tem aguentado demais. Melhor falar de Frida. E das mulheres. E do momento em que estamos tão expostas que fomos expulsas do museu por atentado ao pudor.  Agora somos uma exposição ao ar livre.

E falar da Frida por quê? Porque ela virou cool? Porque seus lábios cerrados e olhos bem recobertos ilustram cadernos, agendas, mochilas e muitas manifestações feministas? Ou será porque ela é uma das maiores representantes da arte latino-americana? Tudo isso. Ou nada disso… talvez ela não aprovaria.

Nós, as mulheres do pós-tudo, temos visto passar vertiginosamente os dois últimos dígitos do milênio (2021, 2022? Nem sabemos mais). Ao mesmo tempo, queremos mostrar ao mundo nossos talentos (como Frida), queremos experimentar nossa sexualidade (como Frida), queremos amar e ser amadas (como Frida). Mas espera, queremos tais obviedades, mas não queremos sofrer como Frida, certo? Afinal uma lança perpassou seu sexo, um amor algoz lancetou seu coração, um corpo mutilado impediu seus desejos.  Não. Não precisamos mais da via sacra. Não queremos nenhum soldado romano nos oprimindo. Ela, nossa cordeiro de Deus(existe cordeiro no feminino?),  já fez o caminho. Como um cristo de saias bordadas, mostrou as nossas chagas, o nosso corpo crucificado, ressuscitado pela arte. Agora ela olha para nós bem de frente dizendo: “eu, mulher, latino-americana, passei por racismo, traição, sexismo, preconceito e ainda assim morri leoa, morri por vós. Eu as liberto. Eu vos dou a minha chama.”

Se falo de Frida é porque a vejo como símbolo. E como todo símbolo, ela se dirige a todos e a cada um. Mostra o útero cortado, a rosa e o macaco dentro de nós. Mostra a força avassaladora que vai além de qualquer sofrimento, além de qualquer padrão. Dizem que até no crematório ela fez a sua última instalação artística, com cabelos em chamas, seu corpo escapando pelo esquife. Haja pulsação.

Olhando em um ponto, bem no meio da sobrancelha de Frida Kahlo podemos enxergar a nós mesmas de todos os ângulos, com buço, roupas típicas, feridas, desnudamentos, rendas, chagas e flores. Uma mescla de abstrações e concretudes que pode explicar o desejo da artista de “nunca mais voltar”. Ou se preferirem, a sua vocação de ficar para sempre.

Por Adriana Calabró

Frida de barriga para baixo, por Nickolas Muray, 1946 _Museu Frida Kahlo

foto: Nickolas Muray, 1946 – Museu Frida Kahlo

Comentários

Comentários

Conhecendo uma cidade por meio das pessoas e das palavras

Visitar Pontes Gestal foi uma experiência transformadora para mim. Claro, era a primeira vez que eu fazia a Oficina Palavra Criada junto à rede pública de ensino no interior de São Paulo.  Quem me convidou foi o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Alimentícias de Pontes Gestal, na figura de seu presidente, Edivaldo Pereira, e quem me acolheu com todo o carinho foi a Silvia, diretora da escola Coronel Pontes Gestal, e todos os professores que estavam presentes.

  • edediretora
  • sorteio

Nós pudemos trocar e debater sobre temas importantes como o ato de escrever, a responsabilidade sobre o que produzimos e também sobre as infinitas possibilidades do processo criativo.  Foram duas aulas, uma no sábado, dia 7 e outra na segunda, dia 9 de novembro.  Cada turma teve uma dinâmica diferente e eu, como facilitadora, acredito que essa é a grande riqueza de trabalhar com pessoas. Os grupos se formam e, não por acaso, trazem uma oportunidade única de aprendizado.

  • escolaquestaoraciallow
  • escolaroda2low
  • todos

Devo que confessar que o momento que mais gosto nas turmas é a hora em que posso conhecer o que eles produzem textualmente. Sempre fico muito impressionada e dessa vez não foi diferente. Os textos produzidos encantaram, emocionaram e também me fizeram conhecer mais sobre a personalidade de Pontes Gestal. Afinal, o que é uma cidade senão as pessoas que moram nela e as histórias que elas guardam em suas mentes e corações, não é?

escolajoaolow
Professor João, autor de textos incríveis.

diretora

A diretora da escola, sempre presente!

ed

Edivaldo Pereira, presidente do Stiapg, que fez o convite e tornou a Oficina possível.

Muito obrigada  e à escola Coronel Pontes Gestal  Foi muito bom estar com vocês!

  • classe
  • todos

Por Adriana Calabró

Comentários

Comentários

Lazer&Cultura – gente do bem, gente que faz!

Conheci a Patricia de Godoy em um curso de Educação e na hora me encantei com a força e o carisma dela. Uma educadora vocacionada! Aí ela contou do grupo Lazer & Cultura e também me interessei. Essa foi a primeira festa de Natal do projeto em que estive presente, confirmando, in loco, a boa mistura que resulta da união de vontade, talento e organização. Adorei!  Teve show de palhaços, comidinhas gostosas, peça de teatro e presentes para todos. Ano que vem estarei no mesmo bat local, vendo os sorrisos dessas crianças e  desses jovens que sempre querem evoluir e aprender. Veja um pouco do clima do evento nas fotos!

palhaços

Palhaçada! É assim que se faz!

 

vitorepapainoel

Um dos participantes do projeto com os presentes e o Papai Noel.

Comentários

Comentários